•  terça-feira, 05 de março de 2024

Mamãe, não quero ser prefeito

Assim como o saudoso Raul Seixas, não tenho, nunca tive e, afirmo categoricamente que jamais terei nenhuma intenção de me candidatar para algum cargo, seja de prefeito, vereador, governador, deputado, senador, presidente ou até síndico. Não, cargos eletivos não são para mim.

O que é muito bom para a sociedade, acredito eu, já que, em contrapartida, o que mais temos são candidatos a alguma coisa (e não acho que o mundo precise de mais) e isso fica sempre evidente quando estamos no período eleitoral, como agora, às vésperas de mais uma eleição municipal.

Para quem tem pelo menos 18 anos, participar da “Festa da Democracia” é obrigatório. Ou quase isso, já que dá para justificar não votar – durante a eleição ou depois, pagando uma multa irrisória. Assim como também dá para ir lá e só clicar na tecla “branco” ou mesmo algum número aleatório para anular o voto – e legal mesmo era quando dava para deixar recados nas cédulas de papel ou sugerir nomes como o de Raul Seixas para prefeito (e não sou velho assim, iniciei minha carreira votatória já com urnas eletrônicas).

Mas, para começar, é preciso deixar claro que votar, mais do que uma obrigação, é um direito que foi conquistado com dura luta e nem faz tanto tempo assim que isso ocorreu (o Diretas Já data de menos de 40 anos atrás).

Claro, a liberdade de escolha não deixa de ser limitada para aqueles que “ousaram” se candidatar e concorrer a algum cargo, passando pelo processo de pedir votos, convencer as pessoas de que ele é bom, honesto, competente, capaz, cidadão de bem, homem (ou mulher) de família, dedicado, responsável, desinteressado, disposto a trabalhar e por aí vai. Claro, nenhum candidato se enquadra em um perfil completo como esse (ou, arrisco dizer, ele seria outra coisa, que não político), por isso mesmo as pessoas escolhem aquele que reúne maior número dessas qualidades. É, quem dera fosse.

Acontece que o homem tem, em primeiro lugar, o interesse particular e, só depois, o interesse social (nem fui eu quem disse isso, foram intelectuais como o filósofo Jean-Jacques Rousseau – cujo sobrenome inspirou, inclusive, outro cantor saudoso, Renato Russo). Baseado nisso, primeiro as pessoas votam pensando em si e só depois pensando na sociedade. E isso inclui votar no amigo ou naquele que vai lhe arrumar um empregou ou garantir umas facilidades (nem sempre dentro da legalidade).

E não dá para julgar, claro, para existirmos enquanto sociedade, primeiro precisamos existir como indivíduos, então é natural – embora nem sempre justificável – que os interesses particulares venham em primeiro lugar.

Claro, para ser assim desapegado teria que ser algum tipo de herói e, assim como o Raul, a maioria de nós sabe que eles estão no gibi e não é besta para tirar onda.

Por fim, então aproveite os dias que faltam para pensar bem em quem vai depositar sua confiança e dar um voto. Vale pesquisar o histórico do candidato, saber quais suas opiniões sobre assuntos importantes, o que já fez (caso seja político de carreira) ou deixou de fazer, levantar a capivara mesmo. Pode não parecer, mas um voto pode fazer a diferença no final das contas.

Já aos candidatos, a dica seria para fazer uma campanha justa, amparada em propostas e soluções para os problemas da população, e não guiada por fake news, desinformação e ataques aos candidatos adversários e alguns só faltam argumentar que “eu sou ruim, mas ele é pior”, provando que realmente não precisam ler jornais e são muito bem capazes de mentirem sozinhos.

 

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