•  sábado, 14 de dezembro de 2019

Primeiro encontro do projeto de prevenção de crimes contra a mulher reúne autoconhecimento e defesa pessoal

“Quem olha por outra perspectiva, imagina que ser militar se resume somente em ‘tiro’, mas esse projeto mostra completamente o contrário. Aqui pudemos ver que existem, acima de tudo, seres humanos que olham para as mulheres. Por trás do estereotipo errado de que militar é ‘tiro’, há quem pense no próximo”, disse Thais Souza, estudante de Psicologia e uma das participantes do primeiro dia do projeto ‘Segunda Força’, realizado no último sábado (30/11).

Além dela, outras mulheres estiveram na Escola de Educação Física da Polícia Militar, em São Paulo, no encontro realizado pela Associação dos Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar (Defenda PM), através do primeiro Tenente da PM, Henrique Velozo. O projeto tem como objetivo ajudar as mulheres, por meio de técnicas de defesa pessoal e autoconhecimento, a se prevenirem de qualquer tipo de agressão.

Neste encontro, foram apresentadas as propostas que serão abordadas durante os próximos sábados. A ideia do primeiro dia foi preparar as participantes mostrando os dados de violência contra a mulher no Brasil, introduzindo as técnicas de defesa pessoal para o desenvolvimento da inteligência emocional e fornecendo dicas de autodefesa para que possam atuar nas mais variadas situações de risco.

Apesar do conteúdo programático ser repleto de atividades voltadas à autodefesa, o Tenente Velozo explica que “a intenção nunca será de encorajar ou fomentar qualquer tipo de enfrentamento, mas tentar fazer uma reprogramação emocional para que elas tenham êxito em situações de desigualdade”.

Para o secretário-executivo da Defenda PM, Coronel Ernesto Puglia Neto, que participou da abertura, o projeto reafirma o que a entidade defende, de que segurança pública não se faz só com polícia na rua. “Temos a chance de atuar em uma frente muito especial, que é esta que vocês estão vivendo. Recebemos o projeto com muita alegria pois com educação, conhecimento e conscientização das pessoas, será possível auxiliar a Polícia Militar e fazer com que a mulher se sinta efetivamente apta a não ser vítima”, ressaltou Ernesto.

Dados da violência e técnicas de autoconhecimento e defesa pessoal

Após a introdução dos objetivos do curso, as alunas tiveram uma aula teórica sobre o mapa da violência contra a mulher no Brasil, os tipos mais comuns e os dados da vitimização feminina. Elas participaram de duas dinâmicas individuais de autoconhecimento, ambas acompanhadas por uma psicóloga, e assistiram vídeos com cenas reais de agressão e autodefesa.

Além dos infográficos, Velozo mostrou os cinco tipos de violência doméstica que estão enquadrados dentro da Lei Maria da Penha. São elas as agressões física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. Ele também explicou como as leis de proteção à mulher são aplicadas no Brasil. “Essa informação é sempre importante reforçar pois apenas 11% das vítimas de violência procuram uma delegacia para fazer a denúncia”, explicou o Tenente.

As técnicas de defesa pessoal foram divididas em três etapas. Além do Tenente Velozo, as oficiais da PM e alunas da Escola de Educação Física da PM, as primeiro Tenentes Camila Fernandes e Ana Rejani, ambas integrantes do projeto, orientaram os treinamentos iniciais com as participantes.

Primeiro, as mulheres aprenderam o que é uma zona de combate; depois, sobre postura corporal durante uma situação de risco e, por fim, domínio de espaço. Quem acompanhou parte da programação foi a terapeuta de PNL (Programação Neurolinguística) e hipnose, Claudia Bernarski.

O ‘Segunda Força’ foi elogiado pelo vice-presidente da Defenda PM e comandante da Escola de Educação Física, Coronel Fábio Rogério Cândido. Além da entidade, o projeto também contou com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

 

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