•  terça-feira, 28 de setembro de 2021

Publicitário vira barbeiro e investe no serviço delivery durante a pandemia

Morador de Vila Isabel passou a atender os clientes em casa e não quer mais trabalhar em barbearias

Corta para um passado já distante. Numa época em que a palavra delivery ainda não era tão de domínio público como nos dias de hoje, chamava a atenção do então adolescente Rodrigo Alonso, morador de Vila Isabel, ver um cabeleireiro ir à sua casa para cuidar das madeixas de toda a família e, de acordo com as suas lembranças e palavras, “fazer um dinheiro rápido”. A cena poderia ter ficado guardada na memória sem causar impacto algum na trajetória profissional daquele menino; afinal, a carreira escolhida depois foi a de publicitário. Mas a estrada da vida o levou a se desencantar com a área de marketing e até com os rumos do país.

Foi aí que ele pensou em aprender um ofício que lhe permitisse se sustentar no exterior com dignidade. Por ter habilidades manuais e tendência a se interessar pelo universo da beleza, o também baterista, que tinha como hábito dar um “tapa” no visual dos colegas músicos antes de subir ao palco, decidiu fazer um curso de barbeiro. Com a chegada do novo coronavírus, o jeito foi tirar da cartola a velha referência do hair stylist (para usar a expressão em inglês comum atualmente) da família e passar a atender em domicílio.

Aos 34 anos, Alonso deixou para trás o desejo de sair do Brasil após perder a mãe, em novembro do ano passado, para a Covid-19. Agora, quer ficar aqui ao lado do pai. Segue afiadíssima, no entanto, a vontade de continuar usando as tesouras não só como instrumento do seu novo ofício, mas também como ferramenta que serve para elevar a autoestima das pessoas.
Os conhecimentos dos tempos de publicitário ajudam. Antes de cada atendimento, ele faz uma sondagem para identificar qual será o corte ideal ou a barba perfeita para aquele cliente. E para exercer sua função com segurança, não tira a máscara do rosto e higieniza as mãos e o material de trabalho a todo instante.
— A minha proposta de barbeiro delivery não é só fazer um corte de cabelo ou uma barba. É estabelecer uma relação de confiança. O meu atendimento é diferente do da barbearia, porque o cliente está abrindo as portas de casa para me receber. Isso cria uma proximidade— observa. — A busca pela praticidade que o serviço em domicílio oferece é uma tendência mundial, até porque é um modelo eficiente. O crescimento dos aplicativos de entrega de comida são um exemplo disso. Muita gente questiona se seria o fim da barbearia física. Não! Tem aquele que quer dar uma volta para espairecer, beber uma cerveja, desabafar, participar das resenhas típicas das barbearias e dos salões de beleza. Outros querem a segurança de serem atendidos em casa.
Os candidatos a aderir a esta experiência chamada barbearia delivery não precisam se preocupar nem com um pequeno detalhe: a queda dos fios cortados no chão.
— Levo na minha mala um aspirador de pó portátil. Deixo tudo limpo quando acabo o meu trabalho. Estou sempre pensando em alguma coisa para agregar valor ao meu serviço. Ainda ofereço aos clientes a opção de finalizar o penteado com uma pomada, passar um esfoliante pós-barba, um óleo hidratante… Uso no ofício de barbeiro muito do que usei na publicidade, como a criatividade, a inovação e o dinamismo — conta o barbeiro, que está no Instagram com o perfil @alonso.hair.
Foi esta capacidade de se reinventar que fez com que Alonso logo encontrasse uma solução para garantir uma fonte de renda ao constatar o fechamento das barbearias, em março do ano passado:
— Eu só fiquei um mês parado. Foi um momento de respirar e começar a aprender a mexer profissionalmente no Instagram, que se tornou a principal ferramenta de divulgação do meu trabalho. Deu tão certo que, em relação ao atendimento masculino, não penso mais em trabalhar …

Por Luisa Sanches

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