•  terça-feira, 05 de março de 2024

Mudar nos mantém vivos

Mudar é preciso, embora, nem sempre desejável. Às vezes, a mudança vem por opção, mas, em muitas tantas, é a necessidade que nos obriga. E isso para todo tipo de mudança, seja de endereço, comportamental, de emprego, de relacionamento, de hábitos, de rotina.

Assim como muitos, também tenho a tendência de ver mudanças obrigatórias com desconfiança, afinal, uma coisa é você decidir se mudar, outra bem diferente é o destino decidir por você. Claro, a forma como você encara cada mudança, também faz toda a diferença para que ela não seja sentida de forma negativa (mesmo quando é) e seja possível encontrar pontos positivos (em quase tudo).

Segundo especialistas (ou vozes na minha cabeça, não tenho certeza), o tempo médio para se adaptar a qualquer coisa é, em média, de 65 dias, ou seja, pouco mais de dois meses. Neste período, podemos nos acostumar a nova rotina e mudança, basicamente, é sobre isso, alterar a rotina.

Diversas vezes, as mudanças nos puxam para fora da nossa zona de conforto, conquistada, geralmente, a duras penas. Isso, no caso, é um dos maiores motivadores para que alguns desistam de uma mudança drástica (como casar, ter um filho ou mudar de carreira e até de emprego). Isso é absolutamente entendível, pois sair de uma situação confortável para enfrentar um “talvez” nem sempre é motivador, como diria o cantor Buchecha, “não vou trocar o que é certo pelo que há de ser”.

Mas muitas vezes é só uma ilusão e cada nova realidade tem os seus pontos positivos e negativos. Agarrar-se aos positivos, como eu disse, é o que pode fazer a diferença, lembrando que nossa adaptatividade (essa palavra nem existe) é o nos permite tantas mudanças ao longo da vida.

Mas, se como indivíduo muitas vezes é difícil fazer pequenas mudanças pessoais, o que dirá como comunidade, como cidade, estado, país, mundo?

Mudanças dessa magnitude exigem tempo, paciência e muitas pessoas envolvidas e lutando para que realmente o mundo seja um lugar melhor. Se olharmos para trás e pensarmos, não faz tanto tempo que a escravidão foi abolida e nem 100 anos desde que Hitler convenceu tanta gente de que outros seres humanos mereciam destinos atrozes como sofrimento, miséria, tortura e mortes horríveis.

Por isso mesmo é tão difícil mudar uma percepção coletiva sobre machismo, racismo, preconceito. São coisas que vêm arraigadas em nossa cultura desde sempre e levam tempo para evoluir, isso sem contar que muitas vezes são “dois passos para frente e um para trás”.

Mas talvez uma das maiores mudanças necessárias como brasileiros no momento, seja a percepção de o quanto o país está atrasado em várias questões, principalmente no sentimento coletivo e de comunidade e isso de modo geral, seja apenas um cidadão comum, quanto uma autoridade ou celebridade.

Basta ver como estamos “anestesiados” com notícias horríveis que nos bombardeiam todos os dias e deveriam ser motivo para que uma mudança fosse promovida imediatamente. Exemplos não faltam, como as mais de mil mortes diárias e hospitais lotados pelo Covid-19; os altos números da violência; o tanto de mortes de inocentes e crianças (sim, crianças) pelas mãos das forças de segurança que deveriam, antes de tudo, nos proteger; para ficar só em alguns exemplos.

Tudo isso deveria ser motivo para que todos, desde governos até quem ainda nem vota, se horrorizasse com a face da nossa sociedade e parasse até que fôssemos capazes de mudar.

Mas infelizmente, parece que continuaremos por muito ainda na zona de conforto. Mesmo que ela esteja mais para zona de confronto.

Por Luciano Rodrigues

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