•  sexta-feira, 14 de junho de 2024
Você acredita em teoria da conspiração?

Você acredita em teoria da conspiração?

Muitas pessoas acreditam em pelo menos uma ou em algumas. E a razão é simples: há um número infinito de teorias da conspiração por aí. Se fôssemos fazer um questionário sobre todas elas, todo mundo vai assinalar algumas opções.

Em 2015, uma pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, mostrou que a maioria dos britânicos marcava uma das opções quando apresentada a uma lista de cinco teorias – que variavam da existência de um grupo secreto que controlava eventos mundiais ao contato com extraterrestres. “Quando você realmente olha para os dados demográficos, a crença em conspirações transpõe classes sociais, gênero e idade”, afirma o professor Chris French, psicólogo da Universidade Goldsmiths, em Londres.

Da mesma forma, seja você de esquerda ou direita, provavelmente vai acreditar em tramas contra você. Pesquisas apontam para o fato de que a crença da teoria da conspiração esteja relacionada a traços de personalidade, religião e visão política.

Me chama a atenção a questão da visão política, pois as teorias conspiratórias a grosso modo falando, representam um mundo em que atores maliciosos trabalham em segredo para prejudicar pessoas em benefício dos conspiradores. Parece até que vivemos esse cenário na política hoje em dia. O peso político apresenta uma negatividade envolvida nesses mecanismos, que deflagra a motivação pouco nobre, na disseminação de informações.

Pessoas com esse perfil, que acreditam em confabulações, têm uma tendência a acreditar em Fake News, gerando uma verdadeira paranoia, que quanto mais alimentada por essas teorias e fake news, mais ansiosas e alertas elas ficam. Claro que é mais simples, em uma sociedade cheia de injustiça e sofrimento sem sentido, talvez acreditar que, haja um pouco de conforto em pensar que há alguém, ou um pequeno grupo, seja responsável por tudo isso.

Gabriel Deslandes em um artigo publicado pela Revista Ópera em 29/09/2018, pontua o tema da seguinte forma: “Os verdadeiros impulsos que dão origem à ascensão e à proliferação popular das teorias conspiratórias estão relacionados com: 1. A privação política do povo e sua incapacidade de controlar suas próprias circunstâncias ou traçar seu próprio futuro, o que leva a um desejo geral de busca por conscientização e por saber o que está acontecendo, já que as pessoas se sentem exasperadas e impotentes para mudar sua realidade; 2. O desejo do povo, enraizado em suas próprias experiências diretas, em identificar se o Estado que o governa é antidemocrático e até que ponto está disposto a ir para manter sua dominação política.”

O que me leva a crer que, a teoria da conspiração se cria, na medida em que é alimentada pelo indivíduo nas suas necessidades mais variadas de completar lacunas, que seus pensamentos, ideias e crenças não conseguem preencher.  Trata-se de desejo ter as teorias corroboradas em todos os níveis. Os desejos das pessoas com base em conspiração política, os desejos de terem poder, de tomarem conta de seu próprio destino e de se tornarem conscientes do mundo ao seu redor são desejos muito válidos, e continuarão enquanto o problema do poder – ou da falta dele – for retificado.

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