•  terça-feira, 05 de março de 2024

Ser homem não é fácil (Aviso: Esse texto contém ironia)

Com todo o respeito a todas as mulheres da minha vida – ou fora dela –, mas tenho que dizer que ser homem não é fácil. Pode até parecer, podem até achar, mas principalmente para quem é branco, hétero, cis, tem emprego e teve oportunidades, o mundo é muito cruel.

A começar por essas acusações malfadadas de que somos privilegiados em quase todos os setores da sociedade, só por sermos homens. Mas ora vejam só, que calúnia. Se é a mulher que fica afastada por meses do trabalho após o nascimento do filho, apenas desfrutando dos prazeres de dedicar-se em tempo integral para uma criança que é totalmente dependente, precisa se alimentar a cada duas horas, ser trocada e ainda, não obstante, costuma berrar em níveis difíceis de alcançar até mesmo por cantores profissionais? Enquanto isso, nós homens somos obrigados a voltar ao trabalho e à rotina, ao futebol com os amigos e tudo o mais, como se nada tivesse mudado.

E falando em ficar em casa o tempo todo apenas desfrutando da companhia do filho de suas entranhas, como fica o trabalho doméstico? Desde sempre que era uma obrigação feminina, mas agora, além de manter o sustento da casa, ainda temos de abrir mão de nosso tempo de descanso para lavar louça, varrer o chão, lavar roupa e até – pasme – fazer a própria comida (deu até palpitação aqui, minha nossa…)!

Claro, as mulheres justificam que agora elas trabalham fora de casa também, mas é um argumento inválido, porque basta ver as pesquisas que mostram que os homens são muito melhor remunerados, mesmo quando ocupam o mesmo cargo, o que é justíssimo, afinal, homem não engravida e não fica descansando em casa e dando custo para a empresa. E daí que a mulher produz mais, com mais competência e em menos tempo? Duvido elas comentarem sobre o decote generoso de uma colega de trabalho – a não ser em alguns casos específicos e aqui cito o grande – e injustiçado – jogador Robinho: “Muitas mulheres não são nem mulheres”.

E volta e meia algum movimento insiste em forçar a participação das mulheres em coisas claramente masculinas, como na política. E daí que governos liderados por mulheres são mais eficientes e menos corruptos? E daí que durante a pandemia, países como a Nova Zelândia, liderado por uma mulher, se saíram muito melhor do que a maioria? Até porque, de acordo com a União Interparlamentar, até 2018, havia apenas dez mulheres entre 153 chefes de Estado.

Aí, como diria Gaston em A Bela e a Fera, a mulher começa a pensar e a ter ideias, e aí fica perigoso; começa a exigir privilégios. Como o de andar na rua sem ser assediada. Pois é, refutam os elogios masculinos como se fossem ofensas. Duvido algum homem se incomodar ao ser chamado de gostoso quando passa por uma obra cheia de pedreiras. Ou então ficar desconfortável porque a colega conversa olhando para seu peito ou mesmo o bumbum.

Por isso mulheres, é preciso entender que, apesar de todas as suas pautas e defesas honestas, não é fácil ser homem. Não é fácil entender como é andar na rua sempre com medo de ser arrastada e abusada por um tipo qualquer. Não é fácil entender que “não é não”, quando até outro dia era dito que era apenas se fazer de difícil e jogo de sedução. Não é fácil compreender que puxar a mulher pela mão na balada quando ela está passando, mexer no cabelo ou tentar beijar, não é coisa de garanhão, mas sim de menino babaca.

É muito difícil evoluir e achar que são injustos todos esses direitos que conquistamos com dura luta durante os anos – e que vocês insistem em chamar de privilégios.

Enfim, fácil mesmo era quando podíamos pensar apenas no próprio prazer, não nos preocuparmos com tarefas domésticas ou com a concorrência no mercado de trabalho, chamar a mulher de gostosa ou coisas do tipo sem sermos ofendido e estávamos sempre com a razão e, principalmente, ninguém se preocupava se para a mulher o nível de facilidade era ainda muito menor.

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