•  segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Os super-hiper-ultra-puxa-mercados

Desde criança aprendi que o termo “super” era usado para designar algo além do normal, como os super-heróis que povoam nosso imaginário e que são mais do que simples cidadãos fazendo coisas heroicas, mas pessoas com superpoderes fazendo super-coisas. Nunca entendi porque os super-heróis se popularizaram, mas o mesmo não aconteceu com os hiper-heróis, por exemplo.

Aliás, o conceito de “hiper” aplicado a mercados só me foi revelado – por uma pesquisa no Google, que já deveria ser “Super-Google” – há pouco. Descobri que o hipermercado é aquele que possui magazine, ou seja, também vende roupas e acessórios. Pensando assim, imagino se no México os mercados sejam conhecidos como “Puxa-Mercado, Repuxa-Mercado e Recontrapuxa-Mercado”, de acordo com a escala sucessiva do seu Madruga.

Aliás, mercado é uma coisa bem interessante e o IVMC (Instituto de Vozes na Minha Cabeça) estima que passamos cerca de 10 a 15% de nosso tempo acordado dentro de um, com margem de erro de 10 a 15% para menos e 85 a 90% para mais. Claro, o tempo que cada pessoa passa dentro de um mercado varia; um funcionário passará muito mais tempo do que um simples visitante e alguns frequentam bem menos, como meu pai, já que deixa as compras menores para minha mãe.

Dizem também os estereótipos que homens gastam menos tempo no mercado do que as mulheres. Eu costumo passar mais tempo que a minha esposa – porque almoço quase todos os dias no restaurante de um – mas, por outro lado, também tenho o hábito de ser bem mais prático. Geralmente, entro já com a lista mental – ou escrita no celular – de compras necessárias, vou até cada uma, vejo a que está mais cara e pego a mais barata (em 98% dos casos).

Mas a verdade é que os mercados têm uma importância maior do que consideramos em nossas vidas. Embora sejam apenas prédios recheados de coisas que compramos por necessidade ou desejo, fazem parte integrante do nosso dia a dia e, muitas vezes, de maneira inusitada.

Ainda segundo o IVMC, a taxa de encontro entre pessoas conhecidas aleatoriamente e de forma inesperada é 35% maior nos mercados do que em outros lugares, como na sua própria casa, cuja taxa beira os 0% – ou seja, pessoas antissociais devem evita-los.

Também não se pode desconsiderar as filas, que os brasileiros tanto amam. Desde que os bancos passaram a contar com aplicativos de celular capazes de resolver praticamente tudo, que os mercados se tornaram o número um das longas filas de espera. Algumas vezes dá até para desenrolar uma conversa com algum desconhecido sobre como está o tempo ou mesmo se divertir observando as compras de cada um e tentando imaginar que tipo de pessoa é.

Aguardar na fila nem sempre é fácil, porque as estratégias de marketing agressivo são cada vez mais, bom, agressivas, e cada mercado escolhe cercar os caixas com quantos produtos julga possível – e algumas vezes julga mal. Tem mercado que encarar uma fila se torna uma passagem pelo corredor da morte e a impressão é que um chocolate vai pular nas suas coisas a qualquer momento ou um pacote de balas vai implorar para que você o leve para casa.

Enfim, assim como Janaína, que “é passageira / Passa as horas do seu dia em trens lotados / Filas de supermercados, bancos e repartições / Que repartem sua vida”, e apesar de tudo, nós temos sonhos e também queremos ser felizes. E não tenho dúvidas que os mercados têm uma prateleira reservada para vender essa tal felicidade, caso ela tivesse preço.

Ler Anterior

Se você ainda não encontrou a felicidade, faça ela vir até você

Ler Próxima

[TURISMO PARA ELAS] : Encontro Brasileiro de Mulheres Viajantes confirma sua segunda edição